quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Poucos bobos, muitos tolos e um globo

Meu livro favorito é o "O Dia do Curinga" de Jostein Gaarder, o mesmo autor do mundialmente conhecido, "O Mundo de Sofia". Em ambos os livros, e também em outros deste mesmo autor, a literatura se mistura com a filosofia e com questionamentos do tipo "Quem somos?", "De onde viemos?" e "Para onde vamos?", mas de uma forma tão gostosa que te envolve e quando começamos o livro não queremos mais parar. Pelo menos com "O Dia do Curinga" é assim.

Não pretendo fazer um resumo do livro pois acho que seria reduzir demais uma história que merece ser lida na íntegra.Mas pretendo sim transmitir aquilo que o livro me passou e que eu me esforço pra lembrar todo dia.

O Curinga na história não é um mero acessório que serve para dar um título legal ao livro, mas sim representa o que seria o filósofo. Ele é aquele que, dentre uma infinidade de cartas que são de paus, de ouros, de espadas ou de copas, se diferencia por não estar limitado por nenhum desses padrões. Entrando um pouco na história do livro, enquanto as outras cartas do baralho são alienadas na sua existência, ou seja, simplesmente existem sem se perguntar o porquê disso, o Curinga busca saber quais são suas origens, busca conhecer o Universo que está ao seu redor, busca se entender. E é esse o elemento fundador de um filósofo, é essa busca pelas respostas de perguntas que ninguém mais parece perguntar; perguntas sobre o próprio ser humano, perguntas sobre o Universo em si, os clichês por muitas vezes ironizados do "De onde eu vim?" ou o "Para onde vou?". Esses são questionamentos que pertubam e não deixarão de pertubar o filósofo, pois, para o autor (e eu tomo isso para mim) filósofo não é aquele que tem todas as respostas, mas aquele que faz todas as perguntas em busca do conhecimento. É aquele que quer saber sempre mais, esse é o verdadeiro filósofo.
Para isso, seria necessário que o filósofo adotasse a visão de um bebê ou uma criança que admira o mundo ao seu redor como se cada coisa fosse nova e interessante, e de fato o é, mas a "racionalidade" da idade adulta, esse acostumar-se com as coisas ao redor, faz com que nos esqueçamos disso. Por isso que o filósofo é um Curinga, pois "o Curinga é o único que não se deixa enganar". Ele não se deixa enganar pela rotina e pelo costume, mas sim se espanta com e se interessa quando vê o mundo e a infinidade de coisas fantásticas que há nele.

Para podermos ter noção de como só o fato de estarmos aqui na Terra, vivendo-a e a experienciando, é um fato incrível, o autor nos faz pensar que se temos 2 pais, 4 avós, 8 bisavós e assim por diante, houve inúmeros momentos no passado que ameaçaram a existência de cada uma das pessoas que hoje vive, mas nem por isso nos atentamos para este fato, o fato de que só de estarmos aqui, vivos, já seria motivo suficiente para se embasbacar diante do Universo, e nem assim a maioria das pessoas dá a mínima atenção para ele.

Por isso "O Dia do Curinga" é meu livro favorito e uma leitura obrigatória, na minha opinião, porque ele é um livro que te diverte, mas ao mesmo tempo que te cutuca e te faz pensar, faz rever todo o mundo ao seu redor, até sua própria forma de viver. É um livro que me incomoda, que me tira da zona de conforto, me inverte a razão e me pergunta:

E aí, você vai ser um tolo ou um Curinga?

2 comentários:

Comentador Fiel disse...

Ai que tá, as coisas tem tanta chance de dar errado, que o estranho é se ter sorte. Por isso existem as religiões.

Rachel disse...

"Se o nosso cérebro fosse tão simples a ponto que pudéssemos entendê-lo, seríamos tão idiotas que não o entenderíamos."

=)